O casal de aventureiros que viaja o mundo sem dia/hora para voltar.

Michele e  Renan visitando Brunei, "a moradia da paz". País localizado no sudeste Asiático, Sultanato do petróleo.

Por Marcus Vinicius.

O simpático casal Renan Greinert (34) e Michele Martins (35), ele, engenheiro da computação, natural do Estado do Paraná, ela, formada em administração de empresas, natural de São Paulo é um atípico casal que deixou tudo para trás para iniciar uma aventura ao redor do mundo e, com pouco, conseguiu muito, além de conquistar seguidores por todo o mundo. Esta é a história contada por Renan e Michele, um casal que se conheceu na capital paulista onde ambos trabalhavam e moravam, sua rotina era basicamente como a de qualquer cidadão normal que trabalha na "selva de pedras", o típico estresse da vida de cidade grande. 

O desapego para eles rendeu no mínimo recordações incríveis que irão guardar para toda a vida. Literalmente, puseram tudo à venda e com algumas economias partiram para a aventura! O casal conta que tinha uma meta de juntar 15 mil dólares cada um para enfim iniciar a jornada - tratava-se de um orçamento que não permitia muito luxo para uma viagem tão longa, mas, aos poucos, foram descobrindo que poderiam ganhar dinheiro fazendo vídeos no canal do Youtube #MundoSemFim que, atualmente, conta com 240 mil inscritos de todo o mundo. Os aventureiros fazem vídeos de suas viagens em lugares remotos que a maioria dos turistas do Brasil e do mundo não ousaria se aventurar. E foi essa coragem protagonizada por Renan e Michele compartilhada através de seus vídeos no #MundoSemFim juntamente com seu companheiro, o mascote Mucuvinha que rendeu a fama de canal de turismo brasileiro que é acompanhado por milhares de pessoas.

Viajar é uma experiência que a gente aprende para a vida toda.

Em seus vídeos é possível observar como eles fazem para se planejar. Em alguns vídeos costumam fazer uma comparação de preços em supermercados, feirinhas, bazares e restaurantes locais de cada região, com a conversão da moeda para saber se o preço é adequado. Além disso, fazem um planejamento com antecedência sobre o roteiro da próxima visita, orientando-se por sites oficiais do governo e de turismo, e de aplicativos de tradução de idiomas instantâneo para linguagem escrita. Renan conta que viajar era um sonho antigo e que veio a se concretizar quando finalmente conseguiu juntar algum dinheiro para o que seria uma viagem pela América do Sul, algo que que não deveria ser tão prolongado.

"Juntamos aproximadamente 15 mil dólares cada um. Depois de um tempo conseguimos vender a casa da minha mãe (que faleceu), e isso aumentou um pouco nosso orçamento. Hoje em dia conseguimos bancar a viagem com o que recebemos do YouTube, do blog, da venda de nossos livros e de algumas fotos."

Foi viajando que eles descobriram que poderiam ir cada vez mais longe. Michele e Renan, apesar de denotar uma simplicidade no modo de vida material, procuram poupar e reduzir os seus custos com hospedagem sempre que possível, dormindo em acampamento em uma área de camping com uma barraca profissional e pegando carona por onde passam, geralmente, eles viajam com dinheiro suficiente para o dia a dia, contando com alguma reserva, um cartão de débito e um cartão de crédito para emergência. Em um de seus vídeos, Renan conta que algumas culturas são generosas; daí eles conseguem carona pelo caminho, outros nem tanto, mas nem sempre é seguro ou recomendável, conforme ele relata:

"Um momento muito marcante foi quando fomos "resgatados" por uma família de nômades na Mongólia. Estávamos tentando cruzar o deserto de Gobi de carona em um caminhão, mas no meio do caminho a Michele começou a se sentir mal com o comportamento do motorista, que não parava de olhar para ela. Assim, vimos um acampamento de três yurtas (casas redondas utilizadas pelos nômades nessas regiões) e pedimos para descer. Não tínhamos ideia se iriam nos receber ou não. Mas eles nos acolheram como se fôssemos parte da família. Passamos três dias com eles, e foi uma imersão cultural incrível".

O casal que iniciou a aventura em setembro de 2015 chegou a escrever um livro sobre as experiências adquiridas em mais de 30 países por onde passaram, que é contado no livro narrado pelo personagem imaginário "Mucuvinha", cujo mascote é um pequeno primata que lhes acompanha em sua jornada, o livro é chamado de A viagem de Mucuvinha. Além disso, eles mantém um site através do endereço www.mundosemfim.com, com informações sobre a viagem, recomendações de pontos turísticos e fotos da viagem.

Uma de suas experiências foi visitando a Coreia do Norte - ao ver o vídeo confesso que fiquei surpreso com a abertura do país aos turistas, pois é divulgado justamente o contrário em relação as fronteiras com aquele país. No vídeo é possível observá-los andando tranquilamente pela capital e maior cidade do país, Pyongyang que possui alguns pontos turísticos monumentais entre eles uma belíssima estação de metro em que Renan e Michele utilizaram para visitar a cidade. Ele nos conta que na República Popular Democrática da Coreia os anos não são contados a partir do nascimento de Cristo, mas sim a partir de 1912, ano de nascimento do fundador da pátria, Kim II-Sung.

O casal, quer dizer, o trio já visitou inúmeros países como Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, México, EUA, Filipinas, Malásia, Singapura, Indonésia, Camboja, Tailândia, Myanmar, Laos, Vietnã, China, Coreia do Norte, Mongólia, Quirguistão, Uzbequistão, Cazaquistão, Rússia, Azerbaijão, Geórgia e Turquia.

Renan e Camponeses posam para a foto durante a trilha do Inle Lake na República da União de Myanmar.

Valeu a Pena?

Quando perguntado se valeu a pena deixar tudo para trás e aventurar-se rumo ao desconhecido a resposta é: Sem dúvida que sim!

"(...) Com certeza. Hoje, quase 4 anos depois, já percorremos grande parte do mundo, visitamos países que nem sabíamos que existiam, aprendemos muito, vivemos experiências únicas e derrubamos muitos preconceitos.

É difícil saber onde estaríamos se continuássemos com nossas vidas antigas. Talvez tivéssemos em empregos melhores, recebendo bons salários e vivendo com bastante conforto. Talvez já tivéssemos comprado nossa casa e tido um filho. Ou talvez estivéssemos desempregados, enfrentando as dificuldades que vieram com a crise. Quem sabe? O único que sabemos é que, nestes poucos anos na estrada, vivemos muito mais do que viveríamos em 100 anos de uma vida "normal".

Ual! Obrigado por compartilhar a experiência de vocês.