Família grande, braço curto.

01/10/2020

Quando o assunto é planejamento familiar devemos observar algumas questões de mérito socioeducativo que consiste em aceitar as dificuldades das gerações semeadas por um legado continental e globalizado que, historicamente, conquistaram muitos avanços científicos, levando-se em consideração as dificuldades econômicas e a dedicação parental necessária para uma relação de amor e responsabilidade por toda vida. Como parte deste processo de descoberta, no século XVIII, a inspiração iluminista trouxe aspectos do comportamento humano que antes eram obscuros na idade média devido a concentração de poder e renda, além da influência da igreja para com seus súditos e clérigos que acreditavam que a ciência não poderia se opor aos ensinamentos do evangelho.

Podemos citar a teoria demográfica malthusiana, desenvolvida por Thomas Robert Malthus (1766 - 1834) referindo-se ao crescimento populacional que fora registrado entre os anos 1785 e 1790 indicando que a população havia dobrado, em razão do aumento da produção de alimentos, das melhores condições sanitárias, e do aperfeiçoamento no combate às doenças tratando-se de benefícios decorrentes da revolução industrial. Esses melhoramentos fizeram com que a taxa de mortalidade diminuísse e a taxa de natalidade aumentasse. Apesar dos eventos de calamidade que se repetiriam ao longo de séculos como guerra, pobreza, catástrofe e epidemia como meio natural de frear o crescimento populacional ante a história humana como fatos sombrios da humanidade.

Devido as preocupações com o crescimento demográfico tendo em vista a capacidade de produção de alimentos e de outros problemas intrínsecos da sociedade que assolavam a civilização humana à época, motivou em meados do século XX na Europa e nos Estados Unidos, movimentos que associavam a miséria ao crescimento populacional desenfreado, marcado pela Teoria Malthusiana que previa a escassez de recursos provocado por uma massa de humanos que não poderiam ser atendidos pelo sistema econômico, político e social. Contudo, como vimos os avanços tecnológicos mostraram-se suficientes projetando a produção de alimentos e a economia a um novo padrão capaz de atender as classes econômicas mais vulneráveis diante de um cenário cada vez mais globalizado, com a participação de movimentos como o feminismo e de políticas humanitárias passando a moldar a sociedade, bem como extraterritorialmente por meio de tratados internacionais que muitos países foram signatários.

Para tanto, medidas são necessárias para se evitar o colapso da economia global tendo como marco o advento da era da Informação que permite que esse texto seja levado a milhões de brasileiros com acesso à internet.

Então, vamos analisar o comportamento que existe no ser humano - o genitor(a) e sua responsabilidade diante do Estado e da sociedade. A capacidade de gerar novos indivíduos não exime da responsabilidade pelo desconhecimento do assunto qual seja a idade dos genitores de QI normal sob a ótica da sociedade, diante do consentimento dos pais independente da vontade de criar sua prole no seio da família - mas busca alternativas na própria sociedade amparada pelo Estado. De modo hodierno o desconhecimento não pode ser admitido pois, diferente do que era há algumas décadas atrás, o acesso à educação trouxe informação no sentido de consentimento do assunto e, com isto, alguma responsabilidade, observando os avanços da medicina reprodutiva e contraceptiva, os setores da saúde foram capazes de disponibilizar recursos, entre eles campanhas de conscientização e material didático oferecido pelo governo no que concerne a prevenção da gravidez e prevenção de gravidez na adolescência e cuidados essenciais com a saúde da gestante. Dado as circunstâncias que envolvem a dificuldade em se criar um filho em um país de tantas desigualdades muita informação é lançada nas massas populacionais, mas nem todos são atendidos da maneira correta e as consequências medidas na qualidade enquanto sociedade. Entre as dificuldades atuais nas entranhas do sistema estão o desemprego, as desigualdades econômicas, a  falta de qualidade na educação básica, e a crise política que desmotivam a formação de novas famílias em território brasileiro.

Um problema consanguíneo e parental. 

Mas qual a responsabilidade do Estado, da sociedade e dos pais diante de um assunto historicamente desamparado? A questão social pode ser tratada com educação e assistência. Já o laço familiar é fortalecido pelo papel desempenhado com a diligência da referência e da admiração. Alguns exercem esse papel com zelo, outros nem tanto. Por sua vez a negligência gera a penitência e, mais ainda, uma espécie de auto chibata na medida de cada loucura. Então, estamos diante de um ente consanguíneo que não é mais visto como digno de seu papel, principalmente sob o mesmo teto expondo as famílias a um abalo afetivo e o que é pior, todos sob o mesmo teto - incompatíveis.

A matemática explica da seguinte forma: supondo que temos 5 a ser dividido por 2, então cada um possui 2,5. Supondo que temos 20 dividido por 8, obtemos o mesmo 2,5. E não poderia ser diferente da renda da família. Segundo pesquisa realizada em 2013 pelo Invent (Instituto Nacional de Vendas e Trade Marketing), o custo para se criar um filho entre diferentes classes é de: 

  • Classe A: R$ 2,086 mi, 
  • Classe B: R$ 948.100, 
  • Classe C: R$ 407.140 e 
  • Classe D: R$ 53.700.

 Quem nunca precisou de um advogado familista nunca entenderia esse texto. A grande dificuldade de buscar esse profissional é a dificuldade em se falar de um problema tão pessoal e doloroso. Nesse momento o advogado deve possuir a sensibilidade para aconselhar da melhor forma seu cliente. Oferecer orientações jurídicas de maneira franca e pontuar o que pode ser tratado pelo judiciário bem como encaminhar o que deve ser tratado por terapia.

Pois o que é certo é que existem diferentes tipos de braço curto, estando relacionado com o despreparo para lidar com a moral e os bons costumes: a inteligência, a vitaliciedade, a espiritualidade, a coragem, a sensibilidade, e, infelizmente, a questão financeira são características que envolvem esta forma celular de sociedade.

Referência:

  • https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342000000100005
  • https://mag.com.br/blog/dinheiro/artigo/quanto-custa-criar-um-filho#:~:text=Mas%20quanto%20custa%20criar%20um,R%24%20703%2C64%20m