Com autoridades e executivos, LIDE Next debate cybersecurity nos negócios de saúde e finanças.

05/12/2019

Xena Ugrinsky, CEO da GenreX Consulting, discursa durante LIDE Next (Crédito: Gustavo Rampini)

Evento também discutiu desafios e tendências na área e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entrará em vigor em 2020.

Por CDN Comunicação.   

A segurança cibernética foi tema da última edição de 2019 do LIDE Next. Promovido pelo LIDE - Grupo de Líderes Empresariais, o evento ocorreu na manhã de hoje, 4, no hotel Renaissance, em São Paulo. Conduzido pelo chairman do LIDE, Luiz Fernando Furlan, e pelo diretor-executivo do Grupo Doria, João Doria Neto, o LIDE Next "Cybersecurity" contou, entre outros, com exposição e debate de Luciano Benetti Timm, secretário nacional do Consumidor (Senacom) do Ministério da Justiça; José Antônio Ziebarth, diretor de Programa do Ministério da Economia; e o ministro extraordinário de Segurança Pública (2018 a 2019), Raul Jungmann.

Ziebarth participou do primeiro painel, dedicado à "Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)" - que entrará em vigor em 16 de agosto de 2020 -, juntamente com Renato Opice Blum, professor coordenador dos cursos de Proteção de Dados e Direito Digital do INSPER e da pós-graduação da FAAP, além de membro internacional do Board da Europrivacy.

Para Opice Blum, a nova legislação trará mudanças de paradigmas na conduta de usuários de internet, aplicativos e redes sociais. "A LGPD criará novas profissões e abrangerá muitas das atuais, desde TI até psicólogos, para entender o comportamento das pessoas", pontuou ele, que alertou ainda ser fundamental que usuários leiam os "Termos de Uso" de aplicativos.

Segundo Ziebarth, a nova legislação implicará em uma nova cultura na administração pública. "A futura Autoridade de Proteção de Dados terá um papel normativo, para que todos estejam cientes das regras do jogo, evitando no primeiro momento sanções e penalidades; do diálogo institucional, para fomentar a mútua comunicação, compreensão e aplicação da LGPD, com a sociedade civil e outros organismos do governo; e da informação e disseminação da cultura de proteção de dados para todos os cidadãos", explicou.

Intitulado "Segurança nos negócios: saúde", o segundo painel teve além do secretário Luciano Timm, o CEO da UnitedHealth Brasil, José Carlos Magalhães, e o líder de Cybersecurity da Accenture, André Fleury. De acordo com Fleury, segurança é uma questão comportamental, que vale tanto para a segurança física como cibernética. "Não se trata meramente de tecnologia. Você confia em um fornecedor de tecnologia se você se sente seguro", observou. Para ele, as quadrilhas cibernéticas vieram com o boom do e-commerce e atualmente até o PCC faz mineração de criptomoedas. "Atacar o ser humano, hoje, é muito fácil. Somos atraídos por phishings em anúncios de redes sociais, que nos roubam dados e capital", adicionou.

Para Magalhães, os investimentos em segurança cibernética são altos, mas necessários para preservar empresas de saúde e seus clientes, como beneficiários de planos de saúde, tendo em vista ameaças como ataques de hackers - nos EUA, hospitais privados e outras organizações são atualmente o principal alvo deste tipo de crime.

Finalizando o painel, Timm, da Senacom, destacou a necessidade de diálogo interdisciplinar entre o direito de concorrência de empresas no mercado e a defesa do consumidor, privacidade e proteção de dados dos cidadãos na era digital. "As pessoas não leem as condições de uso quando contratam serviços na internet; os textos são imensos! Impacientes, elas gastam cerca de 6 segundos para dar 'ok'. Só se houver um eventual problema é que vão futuramente acessar os termos do contrato", observou o secretário.

No terceiro painel, Alessandro Tomão, vice-presidente do Santander, e Xena Ugrinsky, CEO da GenreX Consulting, debateram a "Segurança nos negócios: Instituições Financeiras". Segundo Tomão, o setor bancário tem passado por transformações ao longo dos anos. "A segurança da informação no setor bancário é uma commodity e um diferencial competitivo extremamente importante", afirmou. Finalizando o painel, Ugrinsky, da GenreX, apontou a importância da utilização da Inteligência Artificial na segurança cibernética, além das mudanças necessárias na força de trabalho das empresas e também das lideranças. "Em 2018, apenas 20% das empresas nos Estados Unidos aplicavam IA em cibersegurança. Para 2020, esse número triplica e deve chegar em 73% das companhias norte-americanas. Mas isso só fará diferença com a estratégia certa, a mudança e o envolvimento das lideranças e dos colaboradores para atingirem a maturidade analítica necessária dos dados", enfatizou.

Por fim, Raul Jungmann, ministro extraordinário de Segurança Pública no período 2018-2019, e Pedro Chiamulera, CEO e fundador da Clearsale, discutiram os "Desafios e tendências na segurança cibernética no Brasil". Para Jungmann, não há como institucionalizar as rápidas e dinâmicas mudanças das tecnologias atuais e disruptivas. "A tecnologia se organiza, desorganiza, evolui e se reinventa em um curto espaço de tempo, diferentemente de outras épocas. Um exemplo é a chegada do 5G, que vai mudar toda a criptografia existente a níveis inimagináveis. Outra situação é a LGPD, o que eu chamo de lei de emergência digital. Alguém já pensou nos impactos dela, como a necessidade jurídica de um novo ramo, como o Direito Digital", questionou. Encerrando o LIDE Next, Chiamulera abordou a vulnerabilidade do ser humano e ameaças digitais, como a utilização dos phishings, ransomwares ou outros métodos. "O e-commerce é um dos setores que mais sofre com essas ameaças, mas há armadilhas para diminuirmos essas fraudes com a cibersegurança, seja com IA, machine learning ou criptografia", disse.

Sobre o LIDE

O LIDE - Grupo de Líderes Empresariais é uma organização de caráter privado, que reúne empresários em diversos países. O LIDE debate o fortalecimento da livre iniciativa do desenvolvimento econômico e social, assim como a defesa dos princípios éticos de governança corporativa no setor público e privado. Fundado no Brasil, em 2003, o LIDE é formado por líderes empresariais de corporações nacionais e internacionais, que se preocupam em sensibilizar o empresariado brasileiro para a importância de seu papel na construção de uma sociedade ética, desenvolvida e consciente. Atualmente, o Grupo conta com unidades regionais, internacionais e setoriais, totalizando 25 frentes de atuação. Para informações adicionais, basta acessar lideglobal.com.

Créditos: CDN Comunicação.